Do blog do Rogério Simões/BBC

O americano Phillip Bobbitt, em sua impressionante obra A Guerra e a Paz na História Moderna (The Shield of Achilles - War, Peace and the Course of History), sugere que o Estado nacional, ou Estado-nação, nascido há cerca de 500 anos, está sendo substituído por uma nova entidade: o Estado-mercado. Basicamente, segundo Bobbitt, o Estado nacional tornou-se incapaz de prover a sociedade com aquilo que ela almeja e por isso está sendo passado para trás. No seu lugar, vem um Estado promotor da competição, do multiculturalismo, desprovido de valores morais rígidos. “No Estado-mercado, o Estado é responsável por maximizar as opções disponíveis aos indivíduos”, diz Bobbitt. “No Estado-mercado, o mercado torna-se a arena econômica, substituindo a fábrica. No Estado-mercado, homens e mulheres são consumidores, não produtores.” Para o autor, tal meritocracia sem bases morais consolidadas, estimulando uma competição extrema, seria o único modelo capaz de, diante dos avanços tecnológicos e das novas demandas da população, atender às expectativas da sociedade.

A partir dessa sugestão do Bobbitt, imagino que o próximo estágio do ser humano seja o canibalismo e vistas grossas ao homicídio. Sim, pois se os valores morais serão flexíveis, porque não eliminar o concorrente de vez?

Valha-me, Suriname.


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O mercado é o Estado?

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Keid S./ VARIUS MULTIPLEX MULTIFORMIS/ “Mas o sol ainda aquecia. A gente ainda sobrepairava a essas coisas. A vida ainda tinha um jeito de adicionar um dia a outro dia. E ainda, pensou, bocejando e começando a notar o mundo exterior (…), ainda havia compensações…” Mrs. Dalloway - Virginia Woolf/ @ CUBOCC since 2007