Pós-Obama, pós-colapso econômico, pós-Lula, pós-tudo, a palavra esperança precisa ser cortada do meu vocabulário. Nunca vi tantos bezerros de ouro acontecerem em tão pouco tempo. A mim parece que a usamos arbitrariamente, como um truque psíquico para evitar a frustração. Não existe nada mais conveniente que a espera e a resignação.
Queria falar sobre Obama, mas daí percebi que não sou americano, e a minha vida real e minhas verdades têm exigido mais atenção nesse momento. A realidade onde esse novo Moisés está inserido é alienígena para mim, e, sinceramente, não quero fazer contato de grau algum com eles. Já me basta ter que ver um McDonald’s a cada esquina.
Por falar em esquina, é impressionante a quantidade de blogs por aí, né?. Tenho me surpreendido (positivamente) com alguns: pessoas sensíveis, inteligentes e sensatas. Mas, também, tenho me assustado como a busca por fama atinge essas pessoas por meio de seus blogs.
Tenho um amigo - vamos chamá-lo de Josenildson - que costuma comparar blogueiros a um tipo muito específico de gente que é praticante do Candomblé. Esse meu amigo, a quem chamo aqui de Josenildson, costuma dizer que a semelhança entre blogs e terreiros é que ambos são uma possibilidade de mobilidade social. Josenildson diz que pessoas que atingiram um degrau maior na hierarquia do candomblé, por conta de sua intimidade com os códigos do além, adquirem um poder dentro de sua comunidade.
Essas pessoas, igual aos blogueiros, linkam e são linkadas por todo o universo espiritual. E o poder vem justamente da intimidade com esse mundo etéreo, imaterial, que se realiza por meio da troca de favores.
Isso me parece muito verdadeiro. Mas Josenildson não tem muita esperança que isso mude. Nem eu.
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